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Assim que entraram no castelo, os três sentiram algo indescritível, que lhes provocava uma sensação de bem-estar.
João conhecia a música tocada pela harpa e resolveu acompanhá-la com seus assobios, enquanto Estopa observava a grande altura da mesa. Daí, o cãozinho lembrou-se de que acabara de escalar um pé de feijão infinitamente mais alto, e, com a maior facilidade do mundo, subiu no pé da mesa e foi deitar-se ao lado da mão do Gigante.
No começo, a harpa irritou-se com a intromissão do João. Quem ele pensava que era para atrapalhar seu momento musical? Porém, depois de alguns segundos e do desconforto inicial, ela notou o quanto era prazeroso tocar com outro artista. Terminada a melodia, João questionou:
– Me diga uma coisa, Harpa, e o restante da música? Você não toca?
– Mas a música continua?
– Sim.
– Pensei que a tocava inteira…
– Quer que eu assobie o restante da melodia para você aprender?
– Quero!
João assobiou o restante da música. Emocionadíssima, a harpa pediu que o rapaz assobiasse mais uma vez, para ela aprender e memorizar a cantiga. Num instante, os dois já estavam tocando e assobiando a música toda juntos.
E Dona Joana, quando viu a galinha? Ela sentiu uma ligação instantânea e desandou a falar das dificuldades que andavam passando, do sonho do João em ser goleiro, da saudade que sentia de Via Láctea, do quanto era difícil compreender e lidar com tantos sentimentos ao mesmo tempo.
Có, por sua vez, não escondeu seu espanto ao ver a harpa conversando com desenvoltura com o rapaz. E ficou mais espantada ainda e emocionada com aquela senhora gentil à sua frente, falando de um assunto interessantíssimo. Dona Joana e Có embalaram numa falação repleta de afeto. Até parecia que eram amigas há um baita tempo.
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