Sabe, Psiu, eu gosto de ir à escola, de encontrar minhas amigas, mas hoje, percebi que a Marina não quis nem olhar pra mim. Foi só eu me aproximar da turma para ela sair. E isso mexeu comigo, fez um arranhãozinho na minha alegria. Não ficarei sossegada enquanto não falar com ela. Minha mãe notou que eu continuava apagadinha. Perguntei-lhe como havia percebido. Ela respondeu:
— Intuição de mãe.
— Como assim?
— E desde quando a gente consegue explicar o que é intuição?
— Tente…
— Sei lá, filha, é quando a gente sabe como o outro se sente, se ele está triste, feliz, preocupado. A gente olha e sabe o que tem de fazer. É uma espécie de inteligência que ajuda o coração a tomar decisões. É o nosso mapa, a nossa voz interior. A intuição sinaliza quando devemos ou não confiar em alguém, quando vale a pena aceitar um convite, e, principalmente, quando devemos contar algo ou não; ouviu, minha mocinha linguaruda?
É, mãe, falando assim até parece fácil. Não é, não. A propósito, achei genial a ideia que você teve para eu pedir desculpa pra Marina. Sozinha, não conseguiria pensar em algo…
