…Tereza abraça Cícero.
Como de costume, ele deixa um beijo na testa das filhas e ajeita as suas cobertas.
Pega o ônibus, o trem e um trecho a pé.
Na hora do almoço, ele abre a marmita.
Ele vê um ovo frito em cima de um bife.
Um bife a cavalo.
Um ovo frito no dorso do bife.
Galopando no extenso arrozal.
Diferente dos demais dias, há uma faca no saco plástico.
O ovo está do jeito que ele gosta.
Com a gema mole.
Como a gema não estourou? Como a fina película não se rompeu? O ônibus freou tantas vezes, o trem chacoalhou tantas vezes e a película da gema aguentou firme e forte. Um verdadeiro milagre. Cícero pensa na esposa, nas filhas e chora. As lágrimas atravessam a avenida principal do rosto e recolhem a angústia da vida inteira. Cícero está emocionado. Pega o garfo e o afunda bem devagar na gema. Ela estoura e tinge o arroz de amarelo. Ele afunda mais o garfo até alcançar o bife. Sente que chegou, que o bife…
