Apresentação

Os bibliotecários recomendam que esta lenda espanhola não seja lida à meia-noite. Um risco perigoso demais para o leitor desatento correr. Nem sempre ler sozinho é um procedimento seguro. Cuidado! Um rei poderoso, uma princesa vampira, uma cigana esperta, uma sábia criatura de quatro olhos, um soldado corajoso, um fascinante castelo com setecentas e setenta e sete torres. Mistério e humor se entrelaçam. Uma trama que promove o riso, mas que também dá um frio na barriga, um calafrio na espinha. Pense bem antes de iniciar a leitura. Se quiser, está em tempo de escolher um enredo mais leve. Agora, caso resolva continuar, não diga depois que não foi avisado...


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Trecho do Livro

“Mas por maior que fosse o castelo e por mais riquezas que o rei tivesse, nada para ele valia tanto e era tão precioso como a sua filha. Todos os mimos, as atenções e os paparicos eram para a filha amada. Sem dúvida, a princesa era a joia mais suntuosa do reino.

Acontece que a princesa não era nada disposta: ela dormia vinte e três horas por dia. Só acordava para pentear os longos cabelos, tirar as remelas dos olhos e comer. Feito isso, a dorminhoca princesa trocava a camisola, voltava para a sua cama e dormia logo em seguida. Dormia um sono pesado, cheio de sonhos, que durava exatamente vinte e três horas.

O rei, ao invés de se mostrar contrariado, dava total apoio à filha. Ficava furioso quando alguém espirrava ou mesmo conversava perto do quarto da princesa. Não permitia nem mesmo que o voo de uma simples borboleta atrapalhasse o sono de sua estimada filhinha.

Com o tempo, a princesa ficou mais preguiçosa ainda e passou a dormir vinte e três horas e cinquenta e nove minutos por dia, restando apenas um minuto para fazer uma ligeira refeição. Não perdia mais tempo trocando a camisola, penteando os longos cabelos ou tirando as remelas dos olhos.
Até que aconteceu uma cosa terrível. A princesa...




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