Apresentação

Infância não é sinônimo de alegria e nem velhice é sinônimo de solidão. Alegria e solidão existem na infância e na velhice. Eduarda conta com a sua avó Angelina para entender melhor os seus sentimentos. Eduarda sabe o motivo da sua solidão, da sua tristeza grande, mas demora para contar pensando que a avó achará o motivo muito bobo. Porém, Angelina surpreende sua neta e sugere à Eduarda que suba a escada da solidão e volte para a sua festa de aniversário. Um texto terno, honesto e revelador. Para crianças de todas as idades.


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Trecho do Livro

“"...Eduarda sente algo que nunca sentiu. Ela faz aniversário e há uma festa em sua casa. Com bolo na mesa e duas bandejas de brigadeiro. E Eduarda nem faz questão de comer um. Passa direto, como se a mesa estivesse vazia. Como se a festa não fosse para ela. Eduarda pensou que só iria ficar triste quando a velhice chegasse. Mentira, ela é uma menina e está conhecendo a tristeza. E nem é uma tristeza feita só de tristeza. É uma tristeza com vontade de descobrir um esconderijo e ficar lá dentro, num escuro que ninguém consegue ver. Uma vez, ela havia sentido tristeza, só que foi bem menor e quis que todo mundo soubesse que ela estava sofrendo. Agora não, ela não tinha vontade de receber ninguém. Ninguém mesmo. Só queria ficar sozinha. Ela com um grande espelho escuro. Nem seria preciso se enxergar; só sentir a cara do sentimento, mais nada. Mas onde foi parar seu cinto colorido que combina direitinho com o vestido? Ontem mesmo ela havia estendido o vestido na cadeira e colocado o cinto ao lado e, quando foi se trocar, o cinto tinha sumido. Ela revirou o quarto inteiro e nada, ele sumiu sem deixar rastro. Eduarda sabe que o que está sentindo se chama solidão. Ela se sente uma menina que, de repente, ganhou cem anos e envelheceu. Estranho, como tudo é relativo... A sua avó Angelina tem oitenta e cinco anos e pensa como menina, age como menina. Angelina gosta de pisar descalça no jardim e nem se importa quando suja de terra seu vestido florido. Por que fazem tanta algazarra? Algumas vizinhas chegam para a festa. Trazem presentes. Eduarda agradece e permanece calada. Recebe os convidados como se todos fossem seres invisíveis. Por que trouxeram tantos presentes? O que ela realmente quer não deve estar em nenhum deles. Melhor não abrir nenhum. Se sua mãe soubesse que estava daquele jeito por causa de..." ”




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