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Ensinando empatia às crianças

Ensinando empatia às crianças

Empatia é a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma pessoa se estivesse na mesma situação vivenciada por ela, tentando compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.

 

Segundo especialistas, os fatores ambientais exercem uma maior influência sobre a habilidade que um indivíduo tem de se colocar no lugar do outro, não sendo uma característica individual ou fator genético.

 

Christian Kristensen, professor do programa de pós-graduação em Psicologia da Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-SC), explica que a partir do primeiro ou segundo ano de vida da criança, que os fatores ambientais, como a interação com os pais, começam a ter mais influência no desenvolvimento da empatia.

 

É no período entre os 0 e 6 anos de idade que o nosso cérebro passa pelo maior número de conexões neurais (sinapses), estando muito mais suscetíveis a estímulos e ao aprendizado.

 

Segundo Maria Beatriz Linhares, psicóloga e professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, em se tratando de neurologia, tudo o que você não ativa com estímulos, vai perdendo em conexões. Por tanto, se a área do cérebro responsável pelas habilidades emocionais, como a empatia, não for devidamente estimulada na infância, quando adulto fica muito mais difícil de se desenvolver.

 

Pais muito autoritários ou permissivos são prejudiciais para o desenvolvimento da empatia nas crianças. Atitudes e regras autoritárias não levam em consideração os seus sentimentos, bem como atitudes permissivas fazem com que a criança não enxergue a situação na perspectiva do outro. Segundo Kristensen, o ideal é que os pais imponham as regras explicando o porquê de cada uma delas.

 

Para desenvolver a empatia

 

- Comportamento: os pais ou cuidadores devem priorizar o diálogo, a explicação das regras e de como elas são importantes para o bem comum. Um comportamento impositivo faz com que a perspectiva da criança não seja considerada e que ela reproduza esse padrão comportamental – sem empatia – nas relações. Já os pais permissivos são vistos como inconsistentes pelos filhos, por terem regras muito flexíveis, se preocupam apenas com os seus próprios desejos e necessidades.

 

- Socialização: é de grande importância que a criança tenha convivência com novos cenários, outras pessoas além do núcleo familiar, diferentes comportamentos e regras. Neste aspecto, a educação infantil tem uma grande importância para o desenvolvimento da criança, o convívio com diferentes colegas e professores é onde a criança irá aprender os valores e práticas sociais capazes de contribuir para a construção de uma sociedade mais democrática e feliz.

 

- Conflitos: no caso de brigas com familiares, pais, colegas de escola, os responsáveis devem evitar ameaças e punições para convencer a criança a não repetir a ação. Esse argumento faz a criança olhar ainda mais para si. Explique as consequências que o ato teve na outra pessoa e por que ele não deve ser repetido. Quando a criança bate em um colega, por exemplo, os pais podem explicar que a agressão deixou o colega triste, o machucou e que eles poderão deixar de ser amigos por causa desse comportamento.

 

- Soluções: fazer a criança se colocar no lugar do outro e explicar as consequências das suas atitudes, é necessário apresentar alternativas àquela ação. No exemplo de uma agressão ao colega por um brinquedo, os pais não devem só dizer que não é permitido bater. Devem também falar que é possível perguntar ao amigo se eles podem brincar juntos.

- Literatura: contar histórias para as crianças é uma prática muito saudável, pois oferecemos a elas a oportunidade de vivenciar e aceitar situações diferentes, se colocar no lugar dos personagens, conhecer novas formas de resolução de conflitos que poderão ser aplicadas em situações de verdade.

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